Qual o trade-off entre o rendimento e o desempenho escolar na evolução do Ideb?

 

  

A partir de 2007, o Instituto Nacional de Estudos de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como indicador para avaliar a qualidade da educação. Ele está sendo largamente utilizado como termômetro da qualidade educacional, para hierarquização dos estados, municípios e escolas e para orientar políticas educacionais. Na sua metodologia de cálculo, o Ideb combina informações da pontuação média dos estudantes em exames padronizados (proficiência média na Prova Brasil/SAEB) com as informações sobre o rendimento escolar (taxa média de aprovação dos estudantes), ao final de cada etapa da educação básica.

O Ideb é diretamente proporcional ao aprendizado obtido pelo aluno e inversamente proporcional ao tempo necessário para que este ciclo seja completado. Existe, portanto, um trade-off entre a probabilidade de aprovação e a proficiência dos estudantes. O pressuposto é de que a melhora do fluxo dos alunos sem a contrapartida do aprendizado diminui as notas nos testes padronizados, não tendo o impacto positivo no Ideb. Por outro lado, a melhora das notas nos testes padronizados advinda da retenção dos alunos de baixo desempenho também não teria impacto no Ideb. Porém, é necessário saber se esse trade-off realmente se verifica empiricamente. Alguns estudos mostram que em alguns casos ele não existe, ou seja, que ganhos na aprovação podem ser alcançados sem a necessidade de perda no desempenho dos alunos. Outra questão importante é que a taxa de aprovação não uma medida de fluxo, sendo importante estudar como a trajetória longitudinal do aluno no sistema escolar também interfere no Ideb. Assim, o objetivo da pesquisa é entender os componentes do Ideb, como eles interferiram na evolução do Ideb nos estados brasileiros de 2007 a 2017 e qual o trade-off que existe entre eles. Tal fato é importante por permitir entender quais estratégias de políticas educacionais os estados estão adotando para a melhora do Ideb. Ressalta-se que um sistema de ensino com qualidade é aquele em que os estudantes passam de ano e aprendem. Se um sistema de ensino reprova os alunos de baixo desempenho, de tal forma que ao final de cada etapa de ensino apenas os alunos com alto aprendizado sobrevivem, ele não é um sistema bom, porque parte da população não está sendo atendida de forma adequada. Por outro lado, se um sistema educacional aprova seus alunos sem o aprendizado adequado, ele também não cumpre com o que se espera de um sistema educacional.

 

Autor e data: Núcleo de Estudos em Educação e Políticas Públicas (NEEPP), 2018

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