Perfil da saúde dos idosos de Minas Gerais

Luiza de Marilac de Souza


O envelhecimento – aumento da participação relativa dos grupos mais velhos na estrutura da população mineira – é causado fundamentalmente pela redução da fecundidade e também, já em alguma medida, pelos ganhos de expectativa de vida nas populações pertencentes aos grupos etários mais velhos. Considerado uma das mais significativas tendências do século XXI, esse processo não é mais tido como novidade. No mundo, uma em cada nove pessoas tem 60 anos ou mais, e o crescimento é estimado para uma em cada cinco em 2050 (UNFPA, 2012). Os dados do Censo Demográfico de 2010 apontam que 10,8% da população brasileira é composta por pessoas acima de 60 anos.

Minas Gerais acompanhou as maiores tendências populacionais observadas para o Brasil. Nesse sentido, as taxas de crescimento populacional arrefeceram, e observou-se uma trajetória contínua de redução da fecundidade, o que tem gerado uma série de modificações na distribuição da estrutura por idades tanto do estado quanto do país. Segundo dados dos Censos Demográficos, em Minas Gerais a proporção de idosos quase dobrou entre o período de 1980 e 2010 e passou de 6,1% para 11,8%.

Se, por um lado, o aumento da longevidade é considerado um triunfo do desenvolvimento e uma das grandes conquistas da humanidade, por outro, a população em envelhecimento apresenta desafios econômicos e sociais. Para fazer face aos desafios, uma das alternativas é conhecer a população que envelhece. Para isso, é importante reconhecer que as pessoas acima de 60 anos não formam um grupo homogêneo, para o qual as políticas podem ser generalistas. Assim como os demais grupos etários, a população idosa apresenta características bastante diversas em relação à idade, sexo, raça/cor, educação, renda, saúde (UNFPA, 2012).

Dentro desse contexto, a saúde dos idosos é sempre um tema que desperta interesse, afinal apresenta relação direta tanto com a qualidade de vida dessas pessoas como com os gastos e a demanda por cuidado. Em uma época em que a população passou a viver mais, cresce o interesse de investigar se o tempo adicional acrescido à expectativa de vida é vivido em condições de saúde adequada.

Dessa forma, o objetivo desse artigo é analisar alguns aspectos relacionados às condições de saúde dos idosos mineiros. Para tal, serão apresentadas e discutidas informações sobre a prevalência de doenças crônicas, autopercepção do estado de saúde, utilização e acesso a serviços de saúde, hábitos  preventivos e comportamentos de risco. A base de dados utilizada é a Pesquisa por Amostra de Domicílios de Minas Gerais (PAD-MG) de 2011. A PAD-MG é uma pesquisa domiciliar bianual, coordenada pela Fundação João Pinheiro, que possui informações sociodemográficas da população mineira, tais como saúde, educação, renda, trabalho entre outros. Somado a isso, ela possibilita a realização de análises por diferentes níveis de abrangência geográfica, pois possui representatividade para as regiões de planejamento, mesorregião, setor censitário (rural e urbano), região metropolitana e município de Belo Horizonte. Na edição de 2011, a amostra da PAD-MG foi composta por 18 mil domicílios distribuídos por 428 municípios.

Esse artigo é dividido em mais 5 seções, além dessa introdução. Na segunda seção é apresentada a prevalência de doenças crônicas para Minas Gerais e suas regiões de planejamento. Essa seção aborda também a posse de plano de saúde e os gastos com medicamentos. Na seção seguinte é investigada a autopercepção de saúde dos idosos considerando diferentes categorias demográficas, sociais e geográficas. A quarta seção apresenta informações sobre o acesso e utilização de serviços de saúde. A quinta seção investiga os hábitos de vida saudável da população idosa como a prática de atividade física, realização de exames preventivos e alimentação saudável, bem como os comportamentos de risco, como consumo de bebidas alcoólicas e tabaco. Por fim, são tecidas algumas considerações finais.

 

 

 

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